Durante a madrugada, Barbara e Werner discutem. Permanecer
juntos ou se separar parece impossível para eles. Com esse argumento, a
comédia A Linha Solar, do autor russo Ivan Viripaev,
coloca em cena um casal em uma briga metafísica, engraçada, cruel e cósmica.
Idealizada pela atriz e produtora Carol Gonzalez, que está em cena
ao lado de Chico Carvalho, o texto tem direção de Marcelo
Lazzaratto e ganha sua primeira montagem no Brasil.
Às cinco da manhã, numa cozinha, o casal Barbara e Werner
está à beira da separação, da exaustão, da incompreensão de tudo. Impossível
separar-se, impossível permanecer juntos. Apesar das feridas, do cansaço e do
desgosto, eles tentam e agarram-se ao desejo de se explicarem até ao fim.
Viripaev nos apresenta uma magnífica parábola sobre o amor.
Publicada em 2018, a peça destaca-se por dar voz a questões
existenciais, mas também como explica o autor: “mostra problemas de comunicação
usando o exemplo de uma família. No entanto, não é uma peça sobre uma família,
e sim sobre o que está acontecendo no mundo. Todos os problemas que vemos hoje
— guerras, conflitos, incompreensões, crises políticas — são falhas nos
sistemas de comunicação. Então, a comunicação é o tema central para mim.” E
insiste: “A peça é feita para ser engraçada — e se não for, então algo deu
errado.” Para o diretor, apesar da densidade, ela também traz levezas, uma peça
cheia de contradições como é comum na falta de comunicação.