Minha Estrela Dalva (2026) - Teatro do SESI

“Minha Estrela Dalva” não é uma biografia, é um encontro impossível. Em cena, o ator Renato Borghi invade o camarim de sua musa, Dalva de Oliveira, para realizar um sonho que a vida interrompeu: propor à “Rainha da Voz” um espetáculo revolucionário em que cantaria as canções de Bertolt Brecht e Kurt Weill. 

Nesse “delírio documentado”, passado e presente se fundem em um diálogo imaginado entre o fã e o mito, colocando frente a frente a cantora no auge de sua glória e também em sua vulnerabilidade. 

A narrativa revisita os amores tempestuosos que marcaram sua trajetória e constrói um universo cênico onde o esplendor das rádios dos anos 1950 encontra a crueza do teatro épico de Brecht, revelando a mulher por trás da lenda e o desejo de eternizar, no palco, uma voz que marcou a história da música brasileira.


Fim de Partida (2026) - Teatro Paulo Autran - SESC Pinheiros

Escrita e montada originalmente na Europa pouco mais de uma década após o fim da segunda guerra, Fim de Partida é uma reação ao cenário de ruína física e simbólica, à falta de sentido em um mundo colapsado. A Europa, ainda sob os escombros, vivia uma profunda crise de identidade, social, política, existencial. 

No Brasil de 2025, ainda que em outro contexto, enfrentamos também uma espécie de colapso: polarizações, esgotamento institucional, solidão hiperconectada, guerras envolvendo comunidades vulneráveis, narcotráfico, milícias, desigualdades econômicas abissais, crise ambiental, ou seja, um mal-estar social persistente e uma sensação de fim. 


A Linha Solar (2026) - Teatro CCBB São Paulo

Durante a madrugada, Barbara e Werner discutem. Permanecer juntos ou se separar parece impossível para eles. Com esse argumento, a comédia A Linha Solar, do autor russo Ivan Viripaev, coloca em cena um casal em uma briga metafísica, engraçada, cruel e cósmica. Idealizada pela atriz e produtora Carol Gonzalez, que está em cena ao lado de Chico Carvalho, o texto tem direção de Marcelo Lazzaratto e ganha sua primeira montagem no Brasil.

Às cinco da manhã, numa cozinha, o casal Barbara e Werner está à beira da separação, da exaustão, da incompreensão de tudo. Impossível separar-se, impossível permanecer juntos. Apesar das feridas, do cansaço e do desgosto, eles tentam e agarram-se ao desejo de se explicarem até ao fim. Viripaev nos apresenta uma magnífica parábola sobre o amor.

Publicada em 2018, a peça destaca-se por dar voz a questões existenciais, mas também como explica o autor: “mostra problemas de comunicação usando o exemplo de uma família. No entanto, não é uma peça sobre uma família, e sim sobre o que está acontecendo no mundo. Todos os problemas que vemos hoje — guerras, conflitos, incompreensões, crises políticas — são falhas nos sistemas de comunicação. Então, a comunicação é o tema central para mim.” E insiste: “A peça é feita para ser engraçada — e se não for, então algo deu errado.” Para o diretor, apesar da densidade, ela também traz levezas, uma peça cheia de contradições como é comum na falta de comunicação.


A Noviça Mais Rebelde (2026) - Teatro Santo Agostinho

Uma freira, um passado nada católico, um show improvisado e uma plateia ávida por diversão. Essa combinação inusitada é exatamente a base da comédia A Noviça Mais Rebelde.

No espetáculo, Wilson de Santos volta a interpretar a Irmã Maria José, que convence a Madre Superiora da Irmandade de Salut Marie a deixá-la fazer um show beneficente, seu único sonho não realizado desde que se tornou freira. A Madre aceita a proposta desde que o espetáculo conte com sua supervisão e uma “bênção” especial antes da apresentação. Com o atraso da Madre, Maria José se vê “obrigada” a tocar o show improvisando jogos interativos e números musicais – todos retirados de lembranças hilárias do seu passado agitado antes de se converter à Igreja. De quebra, realiza o sonho de estrelar seu próprio musical, uma chance que havia sido negada com veemência pela Madre Superiora até então.

Em pouco mais de uma hora, Irmã Maria José tem a oportunidade de mostrar a plateia o que uma freira faz quando está de folga, e elas não ficam rezando, o tempo todo não...


Flashdance - O Musical (2026) - Teatro Claro

Inspirado no filme que marcou gerações, o espetáculo acompanha a história de Alex Owens, jovem operária que divide sua rotina entre o trabalho em uma usina durante o dia e a dança à noite. Determinada a mudar de vida, ela decide se preparar para uma audição em um renomado conservatório de balé, enfrentando inseguranças, desafios e a busca por reconhecimento.

Lançado em 1983, o filme original se tornou um fenômeno cultural e venceu o Oscar de Melhor Canção Original com o hit “Flashdance… What a Feeling”, eternizado como um dos maiores sucessos da década. 

Agora, a história ganha uma adaptação inédita no Brasil, com direção de Ricardo Marques, direção musical de Paulo Nogueira e coreografias assinadas por Tutu Morasi.

A montagem nacional traz Marisol Marcondes no papel de Alex e Rhener Freitas como Nick, em uma encenação que mistura teatro, dança e música em ritmo intenso.



Medea de Séneca (2026) - Teatro Anchieta - SESC Consolação

Na tragédia do filósofo do período romano (Séneca foi preceptor do imperador Nero), Medea emerge como uma estrangeira, traída e politicamente silenciada, cuja revolta ecoa em questões femininas e na violência contra a natureza. A montagem desta Medea por Villela enfatiza essa dimensão: uma mulher que devolve ao mundo a fúria acumulada pelo desprezo de Jasão e a sentença de exílio proferida pelo rei Creonte, de Corinto. A natureza torna-se uma narradora trágica que responde às atrocidades cometidas pelos próprios homens.

Sinopse: Abandonada por Jasão, que decide se casar com Creúsa, filha do rei Creonte, a feiticeira Medea vê ruir não apenas o seu matrimônio, como também sua identidade. Movida pela fúria e pela vingança, ela envia presentes envenenados para sua rival, o que culmina na morte da família real.  Para atingir o marido no que ele tem de mais precioso, Medea assassina os próprios filhos.



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