Durante as três horas do musical, conhecemos a história do Doutor Frederick Frankenstein, cientista de Nova York, que após a morte do avô herda um castelo na Transilvânia e lá, primeiramente a contragosto, acaba sendo levado por Igor, Inga e Frau Blucher a dar continuidade as pesquisas do avô que tinham o intuito de trazer os mortos à vida. Com ritmo frenético, humor clássico e muitas piadas prontas e de duplo sentido que levam o público as gargalhadas, a peça prende a atenção do início ao fim e conta com um elenco afiado que canta dança e interpreta magistralmente, com destaque para Bruno Nunes, que interpreta o hilário servo Igor, impagável com suas caretas e expressão corporal e para os números musicais “Arrasar no Ritz” que tem uma cena de sapateado realmente arrasadora e “Transilvânia Delirante” com praticamente todo elenco em cena e uma música contagiante.
Maria do Caritó (2012) - Teatro FAAP - Stay At Home
Maria do Caritó é uma solteirona, moradora do interior nordestino e que sempre, em junho, faz promessas a Santo Antonio para arrumar um namorado e, para isso, tenta, sem sucesso, apanhar uma bandeirinha no topo de um pau de sebo. Porém, ela foi jurada pelo pai a um santo pouco conhecido, Santo Djalminha, e, por isso, não pode se casar em vida. Até que chega à cidade um circo que precisa de uma nova estrela, já que está às mínguas e a anterior simplesmente se mandou. É quando o artista principal da trupe resolve se valer do seu poder de sedução. O espetáculo, aliás, começa com uma narração em off de Lilia Cabral especificando que caritó é, na cultura popular nordestina, uma pequena prateleira no alto da parede, ou nicho nas casas de taipa, onde as mulheres escondem, fora do alcance das crianças, o carretel de linha, o pente, o pedaço de fumo, o cachimbo. E assim, a moça que ficou no caritó é aquela que ficou na prateleira, sem uso, esquecida, guardada intacta.
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Ricardo Novelli
O Barbeiro de Sevilha (2019) - Theatro Municipal de São Paulo - Stay At Home
A história traz o Conde de Almaviva, que se apaixona pela jovem Rosina, mantida trancada em casa pelo tutor. Para vê-la, o apaixonado pede ajuda de Fígaro, cabeleireiro e barbeiro da casa. A montagem escolhida foi apresentada no palco do Theatro Municipal em fevereiro de 2019, abrindo a temporada lírica daquele ano com a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coro Lírico. A direção musical e regência é do maestro Roberto Minczuk e a direção cênica de Cleber Papa. Os cenários e figurinos levam assinatura de José de Anchieta, marcando o que seria um de seus últimos trabalhos. No elenco, o barítono David Marcondes interpreta Figaro, a mezzo-soprano Luciana Bueno como Rosina, o tenor Anibal Mancini em Conde de Almaviva e o baixo Saulo Javan como Dr. Bartolo. Completam a lista, o baixo Matheus França (Don Basilio), o barítono Vicente Sampaio (Fiorello), a soprano Denise Yamaoka (Berta), o baixo Andrey Mira (Sargento) e o atores Fabrizio Santos e Sergio Seixas, nos papeis Ambrogio e Notário, respectivamente.
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Diana (2019) - Ágora Teatro - Stay At Home
A história acontece na cidade de São Paulo no final dos anos sessenta. É a saga de um professor de línguas de um colégio da periferia descrente e cansado das palavras das pessoas e que prefere conversar com as coisas. Traído pela mulher, só dá crédito ao que dizem os inanimados. Sai de casa e se apaixona pela escultura “Saindo do Banho”, de Victor Brecheret instalada no Largo do Arouche, a quem batiza de Diana. O enredo prossegue quando o nosso “herói” é sequestrado por agentes da polícia paramilitar da ditadura, confundido com um militante de esquerda. A peça se concentra nesse curto momento em que ele se encontra nesse cativeiro, para ele um não lugar onde busca entender o seu desentendimento. Em oito cenas curtas o personagem revive suas crenças e suas paixões, seus sonhos e seus delírios.
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Ricardo Novelli
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